AGOSTO 2010

cafésolo

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

avanço
















Dentro do carro vejo o avanço da cidade
num tom que retumba ao vazio.
Há uma quietude humana e triste apenas
irrompida pelos versos. Arrumadores de rua
esperam-me e aproveitam a minha deixa
para disfarçar entre legendas desse quase
nada que adivinho. E não há poesia que resista
ao vício, a este avanço tão objectivo para a morte.

Escrevo, não tanto o que desejo, mas antes
as costas do envelope perdido no porta luvas.
Sejamos claros: estes dramas não se lamentam
e em boa verdade não há razões em Kant
que expliquem conjunturas. Há mo(vi)mentos   
 – ainda que matematicamente ideados
destes psico-dramas-esquivos; e é ainda tão 
cedo para este avanço tão objectivo, penso.


É chegada a hora do nosso desencontro.
Saio e finjo na moeda não registar o momento.
É tão mais fácil fingir quando se não lamenta
esta crua expressão que se insiste re(vi)ver.

4 comentários:

  1. Belíssimo poema, Miguel... Há um eviscerar de emoções que dói, mas que é inevitável...

    [é da intensidade do sentir!]

    Beijinhos!

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