
Para a minha: "Kiki"
Tenho em casa algumas plantas
de estimação e um gato de cultivo.
Trato de regar as plantas sempre
que me lembro, mas lembro-me
sempre antes que me olvide.
O gato, que na verdade é gata, res-
gatei-a – ao abandono – da crueldade
da rua onde vivia. Somos, por isso, como:
unha na carne, pele com pelo,
ossos e a sensibilidade do corpo.
Cada um, na sua arrumação factual,
ocupa o espaço que lhe compete.
Variamos obviamente, como toda
e qualquer família onde impera
a liberdade de acção e movimento.
Fizeram-me assim, não sei, gosto de
pensar ou acreditar: sensível.
A minha família de estimação
(que cultivo) que me desminta:
acaso o poema seja pura ficção.
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