
Outubro comprido, longo, extenso,
como os teus cabelos castanhos
subtilmente tingidos no ouro,
que reflecte esse sol arrefecido,
inclinado, afasta-se de nós não opresso.
Tantos dias teríamos de contar, para afinal
concluir a tua dança assim, sem clamor
ou labareda que interpele as tuas águas
inóspitas, correntes que te seguem
por entre valetas e agueiros tão frequentes
como as noites em que escrevo.
Da tua essência Outubro, guardo em memórias
galochas que estreava a caminho da escola,
as castanhas e a sua aparição súbita, tal como
o fumo nas chaminés cinzentas, que compunham
todo um diverso e propício quadro,
longínquo, extenso,
como os teus cabelos castanhos.








