AGOSTO 2010

cafésolo

domingo, 9 de outubro de 2011

jogo de palavras

 


Coisas pequenas, jogos de cartas em palavras,
digo, jogos ardilosos de significados escondidos
entre mãos – como quem desfolha um dicionário
de toda uma vida – que deixou de fazer sentido.

Existe uma ordem aparentemente anacrónica
que fria e cegamente se afasta da sua própria
história. E eu digo: toda a matéria se questiona
no tempo, na sua ordem ou causalidade natural;


na precisa hora em que se ditam amarras de
toda uma vida. No preciso momento em que a
matéria deixa de ser matéria e passa a ser pó
como vento que beija o exacto perfil do outono.

Coisas pequenas, coisas de embalar, coisas
frágeis de partir, coisas que invadem o nosso
espaço, sobrevivem a este tempo, um tempo
encerrado por cada instante – por cada história


frágil – de fraca raiz. Uma história dispersa
que se afasta do paradigma em que vamos,
uma espécie de axioma longínquo mas perfeito.
Eu agora mergulho no absorto mundo pássaro,

olho as tuas asas e replico por esse caminho
derramado de sangue, de pequenos horrores,
devastação. Como o vício que nos representa
neste jogo repetido, viciado. Somos maioritária

e repetidamente escolhidos, ou por outra,
entregamos-nos simplesmente à passividade e,
caímos a pique nesse tempo que se esconde  
do próprio tempo, pelo mesmo instante que 

                                                           [se esquece depois. 


Como este jogo perdido que 
se encontra viciado à partida.
Ou será nosso predestino perder
este jogo de palavras assim?

1 comentário:

  1. Olá, desculpe invadir seu espaço assim sem avisar. Meu nome é Nayara e cheguei até vc através do Blog Azues. Bom, tanta ousadia minha é para convidar vc pra seguir um blog do meu amigo Fabrício, que eu acho super interessante, a Narroterapia. Sabe como é, né? Quem escreve precisa de outro alguém do outro lado. Além disso, sinceramente gostei do seu comentário e do comentário de outras pessoas. A Narroterapia está se aprimorando, e com os comentários sinceros podemos nos nortear melhor. Divulgar não é tb nenhuma heresia, haja vista que no meio literário isso faz diferença na distribuição de um livro. Muitos autores divulgam seu trabalho até na televisão. Escrever é possível, divulgar é preciso! (rs) Dei uma linda no seu texto, vou continuar passando por aqui...rs





    Narroterapia:

    Uma terapia pra quem gosta de escrever. Assim é a narroterapia. São narrativas de fatos e sentimentos. Palavras sem nome, tímidas, nunca saíram de dentro, sempre morreram na garganta. Palavras com almas de puta que pelo menos enrubescem como as prostitutas de Doistoéviski, certamente um alívio para o pensamento, o mais arisco dos animais.



    Espero que vc aceite meu convite e siga meu blog, será um prazer ver seu rosto ali.

    http://narroterapia.blogspot.com/

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