
Os ponteiros avançam
na madrugada, dominando-a
como a uma extensa avenida.
Apenas os minutos gelam,
tal como os dedos frios sem sangue.
Não existe trânsito ou semáforo
que estanque a tua pressa
furiosa. As pálpebras tremem
delicadas, a cada solavanco irreflectido
em cada mudança veloz.
E tu, julgas ter uma razão a mais
para fugir aos desígnios da tua presença
ao estilhaço da tua ribalta.
No silêncio dos teus passos, embates
de frente com a tua intrepidez,
só o desfoque do tempo, poderá ditar-te
a palavra fim.








